Mentiras e esmeraldas
Mentiras e esmeraldas Tiago da Costa Houve um momento em que a calmaria do oceano se tornou mais desafiadora que o rigor das tempestades. A tensão que precedia as batalhas, bem como a movimentação frenética de cada pirata para controlar a embarcação durante os temporais, deram lugar a uma quietude insuportável. Já fazia duas semanas que o Leviatã II navegava, sem direção, sobre um mar de ondas fracas, após zarpar da Ilha de Sal. O céu limpo, o vento suave e a equivocada rota de regresso para o continente construíram um cenário de tédio que, para a tripulação, poderia ser mais fatal que uma luta de espadas. Há dois meses, quando partiram em busca de cobiçadas esmeraldas, ninguém poderia imaginar que o maior desafio da expedição seria, justamente, a volta para casa. Depois de semanas navegando por mares revoltos, o imponente galeão pirata, conduzido por quase cem homens e armado com trinta canhões, finalmente atracara no seu destino, a Ilha de Sal. O local, conh...