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Mentiras e esmeraldas

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  Mentiras e esmeraldas Tiago da Costa   Houve um momento em que a calmaria do oceano se tornou mais desafiadora que o rigor das tempestades. A tensão que precedia as batalhas, bem como a movimentação frenética de cada pirata para controlar a embarcação durante os temporais, deram lugar a uma quietude insuportável. Já fazia duas semanas que o Leviatã II navegava, sem direção, sobre um mar de ondas fracas, após zarpar da Ilha de Sal. O céu limpo, o vento suave e a equivocada rota de regresso para o continente construíram um cenário de tédio que, para a tripulação, poderia ser mais fatal que uma luta de espadas. Há dois meses, quando partiram em busca de cobiçadas esmeraldas, ninguém poderia imaginar que o maior desafio da expedição seria, justamente, a volta para casa. Depois de semanas navegando por mares revoltos, o imponente galeão pirata, conduzido por quase cem homens e armado com trinta canhões, finalmente atracara no seu destino, a Ilha de Sal. O local, conh...

A noite que não terminou

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  A noite que não terminou Tiago da Costa   Os estalos da lenha queimando e o borbulhar da água fervente nos caldeirões eram tudo que se ouvia no laboratório. Entre frascos de vidro e recipientes de metal, Alina se debruçava sobre suas anotações, tentando compreender o efeito de algumas ervas na cura de uma nova febre que atormentava os moradores do vilarejo. — Professora Alina — um jovem de roupas velhas e olhar curioso interrompeu a estudiosa —, Bogdan está convocando todos para uma reunião. A mulher clara, de olhos puxados e semblante sério, passou as mãos sobre o rosto, abaixou a cabeça e pensou o quanto era inconveniente a realização de um encontro no exato momento em que, todos sabiam, ela estava empenhada na realização de um importante experimento. — Bogdan nunca pode esperar, não é verdade? — falou para si, depois de pegar o casaco cinza sobre a cadeira e amarrar os longos cabelos brancos. — Irei em um minuto. Colocou um cachecol para enfrentar os quatro graus qu...

Raízes amazônicas, o ecossistema Curupira - Indicado ao Prêmio Cartola de Literatura

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  Raízes amazônicas, o ecossistema Curupira Tiago da Costa   O indicador do ar-condicionado marcava dezesseis graus, metade do que fazia do lado de fora, no coração quente e úmido da maior floresta tropical do planeta. No centro da sala com paredes de vidro, sobre a mesa de aço, coberto por um pano branco, repousava o corpo de um homem. Forte, baixo, ombros largos, cabelos cacheados cor de fogo e pés descalços virados para trás. — Seis meses, meu caro guerreiro — disse um homem de cabelos brancos presos em rabo de cavalo, enquanto descobria parte do lençol sobre o corpo, deixando exposta a ferida no peito do cadáver. — Você nos custou um semestre de atraso em pesquisas e alguns milhões de dólares. — E agora, sr. Carlone? — perguntou o pesquisador-chefe do laboratório, trajando um jaleco branco bem cortado e ajeitando os óculos de lentes redondas. — Como será a retomada do projeto? — Agora vamos recuperar o prejuízo. Nada pode deter uma tecnologia que encontra sua é...

Segredos de família - Vencedor do Prêmio Cartola de Literatura

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  Segredos de Família Tiago da Costa   A chegada do Baile das Bruxas era aguardada há meses pelos moradores de Willowbrook. A pacata cidade localizada no estado de Nova Iorque nunca fora populosa, mas viu o número de habitantes diminuir ano após ano por conta dos incidentes ocorridos na Mansão Osbourne. O mais famoso ocorreu em 1969, quando a jovem Berenice Dickens, filha única do casal de médicos que residia na casa, tirou a própria vida. O caso impulsionou a criação das mais sombrias histórias acerca das razões que levaram a estudante de literatura a tomar tão drástica decisão. Várias foram as suposições, mas nunca se chegou a uma verdade comprovada. A comunidade local não aceitou bem o fato de o psiquiatra Leopold Dickens, pai de Berenice, ter sido o único responsável por emitir o seu atestado de óbito. Dias após o misterioso falecimento, todos os oito empregados da casa, juntamente com o casal, desapareceram. Foi tudo repentino. O carteiro foi entregar a correspondên...

Catherine, a Condessa de Sangue

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  Catherine, a Condessa de Sangue Tiago da Costa   O ar da cidade cheirava a pólvora e morte. As pessoas estavam tomadas pelo ódio e sede de vingança, inflamadas pela liberdade que acreditavam ter conquistado. Ainda era cedo para dizer se o mundo havia mudado para melhor. Era notório, entretanto, que nunca mais seria o mesmo. O ano era 1789 e as ruas de Paris eram palco de uma transformação social sem precedentes na história francesa. A Bastilha foi tomada há uma semana, e com a sua derrubada, caíram também as grades imaginárias que protegiam o clero e a nobreza dos braços cansados de uma população faminta. A invasão da maior prisão do país ficou registrada na história como o evento que marcou o início da Revolução Francesa. Nobres e sacerdotes, acostumados com séculos de regalias custeadas pelos impostos pagos pelo povo pobre e pela burguesia, tentavam se proteger em seus palácios e templos da fúria de uma população há séculos explorada. Diariamente, detentores do p...