A eternidade inteira para sofrer
A eternidade inteira para sofrer Tiago da Costa O carro de aplicativo parou na porta do prédio pouco depois das oito horas da noite. O passageiro, reflexivo, entrou após cumprimentar o motorista. Disfarçando bem o nervosismo, mantinha os olhos na tela do celular e o pensamento em algum lugar distante. Era atemorizante pensar que aquela noite poderia ser a sua última. — Boa noite, senhor Franck. — O motorista, pálido e de cabeça raspada, conferiu o destino da corrida no painel. — Cemitério Père-Lachaise. Correto? — Isso mesmo. Um tanto incomum para o horário, admito — respondeu tentando demonstrar naturalidade. Natural, definitivamente, não é algo que se podia dizer sobre aquele momento. Ninguém planeja contrair uma dívida impagável aos trinta anos ou fazer inimigos que desejam sua morte. Franck tinha as duas cois...