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A eternidade inteira para sofrer

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  A eternidade inteira para sofrer Tiago da Costa           O carro de aplicativo parou na porta do prédio pouco depois das oito horas da noite. O passageiro, reflexivo, entrou após cumprimentar o motorista. Disfarçando bem o nervosismo, mantinha os olhos na tela do celular e o pensamento em algum lugar distante. Era atemorizante pensar que aquela noite poderia ser a sua última.       — Boa noite, senhor Franck. — O motorista, pálido e de cabeça raspada, conferiu o destino da corrida no painel. — Cemitério Père-Lachaise. Correto?        — Isso mesmo. Um tanto incomum para o horário, admito — respondeu tentando demonstrar naturalidade.           Natural, definitivamente, não é algo que se podia dizer sobre aquele momento. Ninguém planeja contrair uma dívida impagável aos trinta anos ou fazer inimigos que desejam sua morte. Franck tinha as duas cois...

Sorte no jogo

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  Sorte no jogo Tiago da Costa           Os ponteiros do relógio marcavam quinze horas quando o inspetor de bilhetes soou o apito, anunciando a saída do trem, enquanto conferia o fechamento das portas dos vagões. A locomotiva começou a se mover sobre os trilhos, lançando uma fumaça negra que contrastava com o céu sem nuvens. Quem ficava na estação acenava em despedida para aqueles que partiam. Desviando-se de malas e passageiros, em um passo apressado, uma mulher cruzava a plataforma, olhando para trás a todo momento. Caminhava rápido, tentando achar um lugar para se esconder, antes que fosse alcançada por seus perseguidores. — Senhor, me ajuda, por favor! — pediu a um homem sentado em um banco de madeira cumprido. — Eles vão me pegar. O homem, que parecia aéreo em seus pensamentos, foi rápido na resposta. Abriu uma trouxa de pano, que carregava amarrada a um pedaço de pau, retirou dela um chale branco e entregou à jovem. — Vista isso e fique d...

Dívida antiga

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  Dívida antiga Tiago da Costa   — Um brinde à sua determinação e inteligência! — declarou levantando a taça de espumante, através da qual admirava o rosto sorridente de Anna. — Nada disso teria sido possível sem você, querida. — Foi o nosso esforço, meu bem — respondeu enquanto fechava a porta da geladeira e colocava a garrafa de água sobre a bancada da cozinha. — O plano era ambicioso demais. Nunca daria certo se não fôssemos nós dois, juntos, como está acontecendo. — Vejo as transferências sendo confirmadas e custo a acreditar. Olha só isso — disse deslumbrado, apontando a tela do notebook sobre a mesa, repleta de gráficos e números. — As operações ocorrendo simultaneamente, o dinheiro mudando de mãos debaixo dos olhos deles, e ninguém se dando conta de nada. Acredito que concluímos a fase de testes, agora falta o golpe definitivo. A nossa vingança será esplendorosa! — Não é vingança, Victor — respondeu encarando o namorado. — É justiça; pelo meu pai e por todas as famílias...

A coroa de sangue e prata

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  A coroa de sangue e prata Tiago da Costa   Alice  acordou assustada com o som da chuva. Foi até a janela do quarto e observou do segundo andar a enchente que se formava. Sentiu medo. Os canais de previsão do tempo haviam preparado a população para a chegada do temporal daquela noite, mas ainda assim o volume de água que caía do céu parecia maior do que o esperado. Ninguém conseguiria dormir. Um relâmpago iluminou o céu, revelando a formação ameaçadora das nuvens. Alice tapou os ouvidos, pressentindo o estrondo que estava por vir. Foi como canhões disparados da sala. A casa tremeu, objetos vibraram e, a julgar pelo barulho vindo do andar de cima, caixas caíram no sótão. Temendo pela conservação dos quadros que pintava, a garota saiu do quarto, mas percebeu que a casa estava sem energia. Orientando-se apenas pela luz do luar e o clarão dos raios, baixou a escada que descia do teto e foi até o último andar. Seus quadros tinham caído, mas algo a mais lhe causava estra...